No tocante às entrevistas realizadas pelo Jornal Nacional, durante esta semana, com os candidatos à Presidência da República, tenho lido algumas críticas a respeito das interrupções e da prolixidade de William Bonner. Discordo amplamente.

Assisti às duas entrevistas, ontem com Ciro Gomes e, hoje, com Jair Bolsonaro. Faltam-me palavras para expressar o quão bem formuladas são as perguntas – o que exige algum tempo daquele que as faz, convenhamos – e o quão pertinentes são as ditas interrupções, que, na minha opinião, nada mais são do que uma necessária e honesta tentativa de fazer com que o sujeito responda ao que lhe foi perguntado.

Completamente diferentes dos debates – que, sim, tem o seu charme, a sua graça (e bota graça nisso!) e o seu valor –, onde os candidatos podem falar o que quiserem e, na maioria das vezes, acabarem sem dizer nada, nestas entrevistas promovidas pelo JN, há pouco ou nenhum espaço para tergiversações. E isso é maravilhoso para conseguirmos algumas respostas.

Caso contrário, ficaremos naquela velha e ominosa ladainha de sempre, da qual já estamos enojados e exauridos, que não nos leva a lugar nenhum. Portanto, acho louvável e digno de aplausos o serviço prestado por William Bonner e Renata Vasconcelos a nós, eleitores, nestas entrevistas do JN. Somente assim, com firmeza, imparcialidade e objetividade diante do candidato – pressupostos para um bom jornalismo, diga-se –, poderemos saber, de fato, o que eles têm a dizer sobre os temas que nos interessam. O que, por outro lado, é bastante triste, já que só serve para atestar que eles não têm mesmo nada a dizer.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.