Um dos álbuns mais conhecidos de Belchior é Alucinação, de 1976, onde se encontram alguns de seus maiores sucessos, como Apenas um rapaz latino americano, Velha roupa colorida, A palo seco, dentre muitas outras excelentes canções. No entanto, eis que em uma de minhas tantas peregrinações por discografias completas, me deparo com um álbum chamado Mote e glosa, de 1974, deste mesmo Belchior, anterior, portanto, ao supracitado Alucinação. E qual não foi minha surpresa ao me deparar com um material tão original e com uma assinatura única.

Diferentemente do disco de 1976, aqui Belchior parece trazer temas mais ligados à sua realidade nordestina – vide título do álbum, mote e glosa, que nos remetem a uma forma de poema típico no nordeste brasileiro* –, com arranjos que seriam o mote e os versos que seriam a glosa propriamente dita, segundo minha modesta e, quiçá, incauta análise. De qualquer forma, encontramos neste disco uma canção chamada Na hora do almoço, que viria a se tornar um de seus grandes sucessos, em cujo final ele relembra versos do poema Canteiros, de Cecília Meireles, genialmente musicado e gravado por Fagner em idos dos anos 70.

Bem, tudo isso me pareceu digno de algum comentário, no qual eu ainda insiro uma espécie de videoclipe dessa música, altamente pitoresco, o que acaba por justificar minha opção por um videocast em lugar de um podcast.

*  Obrigado, Paula Plank, por me trazer essa explicação. Você sempre iluminando minhas modestas discussões!

 

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