Big Jack lança seu segundo álbum, que não só traz nova luz ao rock nacional, como parece reinventá-lo

Quando, em 2010, o rock nacional parecia estar balbuciando suas últimas palavras, veio a boa-nova: a banda Big Jack lançava seu álbum de estreia, Eu não vou mudar, onde já deixavam bem claro logo na primeira canção a que tinham vindo. Passados dois anos, a boa-nova parece ter amadurecido e se transformado na ótima-nova: Não vá embora, segundo álbum do Big Jack, mostra que o rock brasileiro não só recuperou o fôlego, como parece estar mais em forma do que há muito não estava. Um meninão, praticamente.

Embora o novo trabalho da banda dê sequência ao que já vinha sendo feito desde o primeiro álbum, é nítido um amadurecimento instrumental e uma preocupação maior aos detalhes harmônicos, seja em um solo de guitarra ou nos arranjos vocais. “Realmente ficamos atentos aos detalhes, que muitas vezes podem passar desapercebidos, mas que se bem trabalhados trazem uma nova cara para um som que já se sabia ser muito bom”, explica Luiz Leme, engenheiro de áudio e peça fundamental na construção do novo álbum.

O elemento “pegada”, essencial a qualquer um que se proponha a fazer rock, também  se intensificou nessa nova etapa. Timbres mais fortes, uma dobradinha de bateria e baixo que certamente não passa batido e um tom de voz de quem sabe bem a mensagem que quer passar, são fatores que indicam que essa turma não veio pra fazer o dito “rock de pelúcia”, mas sim um som de verdade, sem que com isso afugente o ouvinte pouco versado em rock’n roll. Muito antes, pelo contrário, a qualidade e a honestidade sonora contribuem para que mesmo o público que não está acostumado com o estilo possa ao menos entender do que se trata sem se sentir agredido.

Outro indicador do amadurecimento da banda são as letras. O Big Jack parece ter abandonado um pouco daquele humor sagaz e dos versos cheios de vida para entrar de cabeça em algo que se não é o tema preferido de todos, certamente é uma linguagem comum ao mundo inteiro: o amor. “Muita gente achou estranho esse excesso de amor no disco (risos), mas não vejo problemas nisso. Todo mundo gosta de amar, de ser amado e, acima de tudo, de fazer amor. Será que só porque somos uma banda de rock não podemos estar nessa mesma vibe?!”, brinca Théo Anzelotti, vocalista da banda. E, pelo jeito, podem sim, já que eles parecem ter conseguido achar a medida certa para tratar de amor e fazer rock’n roll sem que soem piegas, o que se torna patente em uma breve ouvida do disco.

A produção musical é assinada por Tadeu Patolla, responsável pelo fenômeno Charlie Brown Jr. na década passada. Certamente a presença de Patolla não assustou a banda, que já vinha com uma identidade formada e desde sempre mostrou saber bem o que queria, mas parece ter trazido uma coesão musical que, em se analisando os dois álbuns, mostrava-se em falta no trabalho anterior. “Quando começamos a trabalhar, eles já vieram com o material quase pronto. O meu trabalho foi mais dissecar o que estava sendo feito e, de alguma maneira, botar todos eles numa mesma sintonia, falando uma mesma língua para que o produto final estivesse o mais harmônico possível, que foi o que aconteceu. Mas, sem dúvida, o grande mérito do resultado final é da banda”, diz Pattola.

Com a música de trabalho homônima ao título do álbum, uma deliciosa balada, daquelas dignas de se ficar cantarolando enquanto o dia vai passando, o Big Jack vai se fixando como um dos bons nomes da música nacional e, acima de tudo, parece ter encontrado a justa forma entre o sucesso comercial e a lealdade a um movimento que há muito tempo vem sendo tristemente tripudiado e desvalorizado: o rock’n roll.

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